domingo, 14 de agosto de 2011
9º CAPÍTULO - narrado por Mariza Martínez
Eu e Javi estávamos num café no Colombo. Ele queria explicações, embora eu não tivesse muitas para lhe dar. Contei-lhe como eu e o Rodrigo nos tínhamos conhecido e nas suas últimas tentativas de aproximação. Por um lado, sentia-me super envergonhada, mordia os lábios e brincava com os caracóis negros que de vez em quando, balouçavam, devido aos meus tremores repentinos. E, por outro, sentia-me bem a falar e desabafar com ele. Os seus olhos transmitiam-me tanta tranquilidade e a sua voz era como mel docinho. De vez em quando, até me esquecia do que estava a falar, mas Javi (mesmo muito atento) relembrava-me e eu continuava.
- Então, mas mudando de assunto, pois estou cansada de falar da minha vida atribulada. Como estão as coisas com a Elena? – não gostava muito de falar dela, mas se for a ver bem, ela era uma das poucas coisas que eu sabia sobre Javi. E não podia esconder a minha infelicidade ao debater-me com esse facto.
- No hay noticias – disse ele sem olhar para mim. O empregado chegou com o meu café e a sua coca-cola. – Eres adicto al café? – questionou com um sorriso maroto.
Revirei os olhos.
- Chegaste a Portugal há pouco tempo e não espero que nenhum Espanhol entenda a necessidade de café dos Portugueses; eu já estou cá desde pequenita, habituei-me. – dei um gole grande no café saboroso. – Mas, não desvies a conversa! Eu sei que precisas de desabafar.
Javi levantou o olhar e os seus olhos brilharam.
- Usted me conoce…
Abanei a cabeça.
- Nem por isso… gostava de te conhecer melhor… - sussurrando esta última parte, baixando o olhar para o meu café.
Javi levantou-me o queixo, obrigando-me a encará-lo. A sua pele estava quente; causou-me arrepios na espinal medula.
- También queria conocerte mejor…
Corei. Sorri-lhe.
- Me gusta ver usted ruborizarse.
Okay… corei ainda mais.
Subitamente, sem mais nem menos, não sei o que me passou pela cabeça.
- O que fazes hoje à noite?
Javi foi apanhado de surpresa. Pestanejou e respondeu:
- Nada especial… por qué? Usted tiene un plan mejor?
Mordi o lábio carnudo.
- Não me apetece nada ir para casa… estou zangada com a minha mãe e a minha melhor amiga está ocupada, porque vai receber a visita do seu namorado. E sabes? O meu estômago não se contenta com um café, por isso e visto que não tens nada combinado… queres… jantar comigo?
Ele esboçou um grande sorriso.
- Ese plan me parece perfecto. Dónde vamos a cenar?
- Hum… não sei… conheces algum restaurante bom por aqui? O convidado é que escolhe.
Javi matutou um pouco.
- Vamos el restaurante del Barbas.
Levantei as sobrancelhas e soltei uma gargalhada.
Estava em casa mesmo à frente do meu guarda-roupa. Javi estava lá em baixo, no parque de estacionamento à minha espera. Não queria nada que ele esperasse muito, mas eu não sabia realmente o que vestir. Depois de atirar os vestidos mais apropriados para a ocasião para cima da cama, consegui seleccionar dois. E qual dos dois escolher? Estava indecisa entre um vestido pelos joelhos em tons brancos e prateados com inúmeros brilhantes e um vestido rosa decorado com uns tons de dourado. Agarrei no telemóvel e enviei um sms de ajuda urgente à minha vizinha de cima, Inês.
“ Emergência! Vestido branco e prateado ou rosa e dourado para um jantar com uma pessoa especial? “
Passados alguns segundos:
“ O primeiro, definitivamente! Creio que essa pessoa especial seja o Espanhol, Espanholita ^^ “
“ Gracias! Gracias! Sim… por acaso é mesmo ele. Bom, tenho mesmo de me despachar. Te amo, Chica <3 “
“ De nada… boa sorte =D Também te amo, Mariza.<3 “
Assim sendo, vesti o vestido, pus uns brincos a condizer, escolhi uns sapatos de salto alto (obviamente), dei um jeitinho no meu cabelo, peguei na mala e saí.
Entrei no BMW preto e reluzente do Javi. Ele mirou-me toda, sem vergonha.
- Eres realmente hermosa!
Ao pé dele, era realmente desnecessário usar blush, porque os seus elogios faziam-me corar instantaneamente. Javi estendeu a mão e fez-me uma festinha no bochecha esquerda que flamejava.
- Te dije que me encanta cuando te ruborizas?
Comprimi os lábios.
- Sí, he dicho…
Só me apercebi que tinha falado em Espanhol com ele, quando este ligou o carro.
Já tinha saudades de falar em Espanhol todo o dia, mas a minha vida era agora em Portugal; a minha mãe já mal percebe Espanhol e também não gosta que eu fale a minha língua… Inês entende melhor, muito devido a Fernando, mas mesmo assim, não gosto de falar Espanhol com ela, pois sei que para ela é muito mais fácil o Português. Mas… eu podia falar Espanhol com Javi… seria natural e benéfico para os dois. Se calhar ele gostava tanto da minha pronúncia (que raramente ouvia) como eu amava a sua.
- En qué piensas? – perguntou ele, quebrando os meus pensamentos.
- En nada especial… - os meus olhos depositaram-se na sua mão direita, controladora das mudanças do carro. Tomei mais atenção à tatuagem que lhe rodeava o pulso. Fiquei fascinada. – Tienes una tatuaje…
Javi olhou para mim e depois para a sua tatuagem no pulso; Sorriu.
- Tengo más…
- Tienes más? Dónde? – perguntei, curiosíssima. Só depois, rezei para que não fosse em nenhum sítio… íntimo…
- Tengo esto en la muñeca – apontando para a do pulso. – Tengo este dedo – apontando para as iniciais J e G (o seu nome) no dedo mindinho da mão esquerda. – Tengo outra en el antebrazo y el brazo izquierdo y todavía tengo outra en la pierna.
- Tienes cinco! – exclamei surpreendida. – Yo no sabia que te gustaba tanto de las tatuajes.
- Mi gusta muho, sí. Y tú? Te he visto una rosa com espinas en el pulgar izquierdo.
- Sí, esto. – mexendo o polegar, onde tinha a rosa negra.
- Tienes más?
Acenei com a cabeça.
- Dónde?
- Tengo en el pie, también.
Tínhamos chegado ao restaurante.
- Quiero verla.
Javi saiu do carro e abriu-me a porta. Ainda sentada no banco cómodo do BMW, alcei o pé direito e mostrei-lhe a tatuagem que o sapato preto não cobria.
- Guapa!
- Gracias. – sorrindo-lhe.
- Si encuentra alguno de mis colegas, lo siento.
- Por qué me piedes excusa? – rindo-me com a sua expressão facial.
- Mis colegas… bueno, si ves alguno, entiendes. – piscando-me o olho. Ri-me.
Entrámos no restaurante e Javi depositou a sua mão no fundo das minhas costas.
Sentámo-nos, fizemos os pedidos e aguardámos.
Tentei não pensar muito na ironia do vinho que o Javi pediu. CASAL GARCÍA.
Agarrei no copo e traguei uns belos goles no vinho saboroso. Olhei em meu redor. Reparei que estavam quatro jogadores de futebol a olharem fixamente para mim. Roberto, Saviola, David Luiz e Salvio. Ai, que vergonha.
- Estás ruborizada de nuevo. Qué pása?
Mordi o lábio.
- Son sus cuatro colegas que nos miran.
- Ellos están buscando a ti, seguro.
- Debe ser extraño verte com otra persona que no es Elena. – disse, triste.
Javi deu-me a mão.
- Ellos saben que se acabo. Deben estar curiosos.
- Hum…
Eis senão, quatro colegas de Javi rodeiam a nossa mesa.
- Oh Javi! JAVI GARRRCÍA! – exclamou David Luiz. – É o nome dele, garota.
Pisquei os olhos, tentando não rir.
- A sua cara não mi é estranha… - continuou ele. Porque é que todos diziam o mesmo e nunca se lembravam?! – Eu conheço você?
- Sou eu que aponto o teu nome e a matricula do teu carro. – disse-lhe.
- Ah! A famosa estagiária… estou vendo. Então, Javi? É esta a garotjinha? A sua “Chica”, hein?
Javi olhou para mim, pedindo-me desculpa com o olhar… outra vez.
- Sí, David! – dando-lhe um calduço no ombro. – Mariza Martínez, mi Chica.
Corei com aquelas duas últimas palavras: mi Chica (aii aii). O que significava aquilo?
Virem-me para eles, tentando desviar o meu embaraço.
- É um prazer conhecer-vos.
- E nós somos… - David Luiz ia começar as apresentações, mas eu travei-o.
- Não são necessárias quaisquer apresentações. Conheço-vos, por causa do meu trabalho, mas também… porque sou adepta do Benfica… e também do Barcelona. – rindo-me.
- Eres mismo portuguesa? – perguntou Saviola.
- Não totalmente. Nasci em Barcelona, mas depois os meus pais separaram-se e sendo a minha mãe portuguesa, vim para Portugal desde muito pequena. – expliquei para os cinco, pois Javi ainda não sabia.
- Ah, tou vendo… então você é Portuguesa e Espanhola, é isso?
- Sou Luso-Espanhola. – sorrindo-lhe.
- Tienes de ver nuestros juegos! – exclamou Salvio.
- Ah, pois, tenho de pensar nisso. – rindo-me. – David?
- Sim?
- Tu deves conhecer a minha melhor amiga… a Inês Oliveira.
- Hum... não tou vendo, não.
- Ela vai algumas vezes a casa do Rúben.
David abana a cabeça.
- Não sei não, garota. Sabe, não vou a casa do Rúben faz tempo. Ele anda maluquinho por uma garota. Não faço ideia quem ela é, mas ele diz que ela é especial.
Fiquei super chocada! Rúben andava apaixonado por outra rapariga?! E eu a pensar que ele gostava mesmo da minha Loirinha e que a minha Loirinha estava finalmente a esquecer El Niño.
Bem, fiquei deveras surpreendida; não me costumava enganar em questões como esta...
Vieram os nossos pratos e os quatro jogadores juntaram a sua mesa à nossa.
Roberto falava comigo sobre a sua mulher e a sua filha. Disse que tínhamos de combinar um jantar os quatro: eu, Javi, ele e a sua mulher Marta, a fim de nos conhecermos melhor. Eles eram todos muito simpáticos. Notei, pelo canto do olho, que Javi e Saviola murmuravam.
( - Mariza es muy hermosa y agradable. – comenta Saviola.
- Es mucho más que eso. Es misteriosa, independiente, luchadora, muy amiga de sus amigos. Es muy buena persona… - responde Javi.
- Te gusta della? – quer Saviola saber.
- No… yo creo que la amo. – confessa Javi.
Javi não tira os olhos de Mariza. Está como que fascinado a ouvi-la falar com um dos seus grandes amigos, Roberto.
- Crees que ella siente lo mismo? – interroga Javi.
- No sé, pêro se ella queria cenar contigo… puede significar algo… - afirma Saviola. – Há dicho lo que sientes?
- No… creo que es muy temprano para eso. – confessa.
- Dale tiempo… para ella e para usted. Puedes sentirte solo sensible a causa de Elena…
- No! Yo sé lo que siento.
Os dois amigos ficaram a olhar para Mariza sem dizerem mais nada).
- Domingo? No tengo nada que hacer… aceptado! – disse então, aceitando ir ver o jogo do Benfica neste Domingo.
- Perfecto! Javi te lleva al estadio y luego le dice donde está el area VIP. Has oído, Javi? – perguntou Roberto virando-se para Javi que parece ter acordado de um sonho.
- Qué? Qué pása?
- Llevas Mariza al estádio, decirle donde es el area VIP en el Domingo.
Javi olhou para mim, intimidante.
- Quieres ver nuestro juego? – surpreendido.
- Por qué no? Claro que quiero!
- Y en el area VIP?
Não percebi muito bem a sua expressão facial ao dizer zona VIP. O que tinha de tão chocante essa zona do estádio? Bem, era onde estavam… OMG! Era onde estavam as mulheres e namoradas dos jogadores de futebol. Pois, já entendi. Javi não gostava muito da ideia de eu ocupar o lugar de Elena na zona VIP. Compreendo…
(Javi não conseguia expressar o seu entusiasmo. Mariza queria ver o seu jogo… ainda por cima, na zona VIP, local onde só as pessoas mais íntimas (namoradas e esposas) dos jogadores entravam. Será que ela compreendia o que isso queria dizer?! Será que o próprio Javi poderia tirar dali uma conclusão que lhe agradasse?! Será que Mariza gostava tanto dele como Javi gostava dela?!)
- Si no quieres que yo vaya allí, yo puedo ir a la grada. – não era mentira. Eu compreendia. Se ele não queria que eu fosse para a zona VIP eu podia ir para as bancadas normais…
- Por qué rázon no quiero que te vayas a la zona VIP?
- Hey, pessoal. Já está chegando a nossa hora. Vamos andando, tá bom? – disse David, tentando deixar-me a sós com Javi. Os dois espanhóis, um brasileiro e um argentino abandonaram-nos.
Javi repetiu a pergunta.
- Yo entiendo que no quieras que me tome el lugar de Elena...
- Qué? Que estás diciendo? Yo estaba sorprendido, por que no sabia si usted había dado cuenta de que eres especial para mí.
Fiz uma expressão confusa.
- Sabes, sólo personas muy especiales para los jugadores pueden entrar en él área VIP.
Acenei com a cabeça, com olhos inocentes.
- No me di cuenta que ya sabías que eres especial para mí...
Pestanejei os olhos.
- Eu... sou especial para ti...? – perguntei, interrompendo o nosso perfeito diálogo na nossa língua. Subitamente, ouvi ao longe Love’s Divine de Seal (música que adorava) que soava no VH1 da TV do restaurente.
Javi sorriu, como se eu fosse uma pequena criança a perguntar de onde vêm os bebés.
A resposta para ele era certa, clara, sem margem de dúvida.
- Por supuesto que es...
Tentando encolher as grossas lágrimas que ameaçavam escorrer-me pelo rosto abaixo, disse, tola:
- Me encanta esta canción...
Javi franziu levemente o sobrolho e olhou para trás, apercebendo-se que não deu conta da música que soava nos meus ouvidos, como banda sonora da confissão dele.
- Oh, mi gusta del Seal también.
Levantei as sobrancelhas finas.
- Jura!
Javi pediu a conta e não me deixou pagar (coisa que vou ter de remediar para a próxima vez. Espera! Próxima vez?! Sim, eu queria uma próxima vez!)
Já íamos a entrar para o carro dele, quando ele pousa a mão na minha, impedindo-me de abrir a porta do carro.
- Veo que te gusta mucho la música.
- Verdad. – sorrindo-lhe.
- Y el canto...?
Os meus olhos circularam, até um pouco preocupada pelo que vinha dali.
- También... – respondi a custo.
- Quieres ir a un bar de karaoke?
Fiz uma expressão surpresa.
- Tú? Cantar conmigo?
Ele fez a sua expressão mais engraçada de sempre. E acenou com a cabeça.
- Okay... – rindo-me ao entrar para o carro.
O Bar era super giro. Haviam pessoas a cantar aos pares, seguindo fincamente as letras que apareciam no ecrã. Sentei-me numa mesinha redonda e alta para duas pessoas e Javi foi nos inscrever para o karaoke. Ai, já me nasciam borboletas marotas no estômago. Ai, que nervos!
Javi veio sentar-se à minha frente.
- Sólo dos personas. – o seu dedo indicador direito voou até à pontinha do meu nariz num gesto carinhoso.
Só faltavam duas pessoas. Ui, ui.
Passados por volta de 8 minutos, foi a nossa vez. Estava a beber um IceTea de manga, quando anunciaram os nossos nomes, eriçarando-me os cabelos da nuca. O senhor disse:
- Hum... uns pombinhos apaixonados, hã? Vão cantar esta canção, então. – corei como nunca corei na vida. Apareceu o nome da música e do cantor no ecrã. Enguli em seco.
UMBERTO TOZZI – TI AMO (english version).
Javi pegou no microfone, como se este o assustasse muito menos que um canto contra o Benfica.
Já eu... preferia fazer mil e uma espargatas do que... hum... cantar aquela música a olhar para o Javi. Eu achava a música do mais romântico e íntimo que pudesse haver.
- Ti amo. Throw a coin. Ti amo. In the air. Ti amo. Heads up it means that it’s over. We’re leaving each other... I lose my breath when you reveal yourself. Is love so far from hate? – cantava ele. Quando as letras “ And I need you as I need the sun. You are forever the one” aparceram no ecrã, ele memorizou-as e cantou-as mesmo virado para mim com os olhos a brilharem.
- TI AMO! How could I hurt you so? Now I am here again... open the door to a woman who is hollow with pain! – cantei a minha parte.
Acabámos a música quase já sem ar nos pulmões. Voltámos para a nossa mesa e bebemos os nossos refrigerantes. Riamo-nos ao relembrarmos o que tinha acontecido há minutos atrás.
Tinha-me divertido imenso, apesar da intimidante música; e Javi também tinha gostado muito, pelo menos era o que eu conseguia ler nos seus olhos.
- Mañana voy a grabar un vídeo com Nélson Évora. – afirmou ele, esboçando um sorriso.
Levantei as sobrancelhas, surpreendida.
- En serio? Dónde? Sobré qué?
- Sí. – riu-se. – En el centro comercial Alegro Alfragide. Vamos a hacer una broma. Una salto a la tienda Adidas.
- QUÉ?! – quase cuspi o sumo da boca.
- Una broma, una broma. – rindo-se da minha reacção.
- Okay… - disse ainda desconfiada.
Ele coçou o bigode, um dos seus tiques. Javi tirou o telemóvel do bolso e olhou para o ecrã.
- Bueno… mañana temprano tengo entrenamiento en Seixal…
- Sí sí, eres mi hora también. No estoy acostumbrada a echarme muy tarde.
- Por qué?
- Estoy en la universidad, recuerdas?
- Ah, sí, sí. A veces me olvido. Pareces más adulta de lo que es.
Encolhi os ombros.
- Bueno, vamos? – perguntei. Javi acenou com a cabeça. Dirigiu-se ao balcão e pagou.
Fomos para o carro. Eu permaneci quieta ao pé do belo BMW. Javi olhou para mim.
- Vaya por delante. Voy a tomar el autobús.
Ele abanou a cabeça.
- No digas tonterías! Yo té llevaré a casa.
- No, no señor! Mañana hay que levantarse temprano. No quiero retrasar más.
- No me molesta. Sólo necesito que me digas el camino.
Eu fiquei no mesmo sítio.
- Estoy esperando…
Suspirei profundamente e entrei no carro.
Quando estávamos em frente à minha casa, disse-lhe:
- Gracias por todo.
- Yo lo aprecio. – agradeceu ele também, fazendo-me festinhas nas bochechas. – Quieres ver nuestro entrenamiento? – perguntou tão depressa, como uma rajada de vento forte. Mal o percebi.
- Qué?
Javi clareou a garganta e disse mais calmamente.
- Quieres ver nuestro entrenamiento?
A questão apanhou-me de surpresa.
- A qué hora?
- 10h30 en Seixal.
- Hum… muy bién! Por la mañana no tengo nada que hacer, solo por la tarde tengo clase de Danza.
- Perfecto, entonces. Yo vengo recogerte a las 8h30. Y no me digas que te vas solo.
Comprimi os lábios.
- Okay… buenas noches. – aproximei-me dele e depositei-lhe um beijo na face.
Abri a porta e subi as escadinhas do prédio. Entrei. O BMW ainda estava lá. Comecei a subir alguns degraus e espreitei. Continuava lá.
Subi a escadas até à porta de Inês. Oh, tinha tanta coisa para lhe contar, tanta coisa para atirar cá para fora. Ai, Jesus! Tive de morder várias vezes o interior das bochechas para impedir que aquele sorriso parvo estampado na minha cara parasse. Bati à porta. Nada. Bati outra vez. Hum…nada. Toquei à campainha, furtivamente. Passados alguns minutos e alguns barulhos estranhos, abriram a porta. Esbugalhei os olhos.
- FERNANDO? – sim, era mesmo o Fernando Torres, especado à minha frente em tronco nu e umas diminutas hum… boxers… - Eu, hum… será que a Inês tem um pau de canela que me dê…? – perguntei a pergunta mais tosca que tinha perguntado em 18 anos de existência. – Sabes, hum… vou fazer hum… arroz doce e preciso mesmo de um pau de canela.
Isso! Isso! Afunda-te mais. Detesto arroz doce! E que tal pirares-te sem incomodares mais?!
- Usted va a hacer arroz com leche a las 23 horas?
- Exacto! Hum… apetece-me mesmo.
- Muy bién. Espere un poço… - disse ele, entrando de novo em casa e dirigindo-se à cozinha.
Milagrosa fuga! Corri pelas escadas abaixo e entrei em casa.
- Então, mas mudando de assunto, pois estou cansada de falar da minha vida atribulada. Como estão as coisas com a Elena? – não gostava muito de falar dela, mas se for a ver bem, ela era uma das poucas coisas que eu sabia sobre Javi. E não podia esconder a minha infelicidade ao debater-me com esse facto.
- No hay noticias – disse ele sem olhar para mim. O empregado chegou com o meu café e a sua coca-cola. – Eres adicto al café? – questionou com um sorriso maroto.
Revirei os olhos.
- Chegaste a Portugal há pouco tempo e não espero que nenhum Espanhol entenda a necessidade de café dos Portugueses; eu já estou cá desde pequenita, habituei-me. – dei um gole grande no café saboroso. – Mas, não desvies a conversa! Eu sei que precisas de desabafar.
Javi levantou o olhar e os seus olhos brilharam.
- Usted me conoce…
Abanei a cabeça.
- Nem por isso… gostava de te conhecer melhor… - sussurrando esta última parte, baixando o olhar para o meu café.
Javi levantou-me o queixo, obrigando-me a encará-lo. A sua pele estava quente; causou-me arrepios na espinal medula.
- También queria conocerte mejor…
Corei. Sorri-lhe.
- Me gusta ver usted ruborizarse.
Okay… corei ainda mais.
Subitamente, sem mais nem menos, não sei o que me passou pela cabeça.
- O que fazes hoje à noite?
Javi foi apanhado de surpresa. Pestanejou e respondeu:
- Nada especial… por qué? Usted tiene un plan mejor?
Mordi o lábio carnudo.
- Não me apetece nada ir para casa… estou zangada com a minha mãe e a minha melhor amiga está ocupada, porque vai receber a visita do seu namorado. E sabes? O meu estômago não se contenta com um café, por isso e visto que não tens nada combinado… queres… jantar comigo?
Ele esboçou um grande sorriso.
- Ese plan me parece perfecto. Dónde vamos a cenar?
- Hum… não sei… conheces algum restaurante bom por aqui? O convidado é que escolhe.
Javi matutou um pouco.
- Vamos el restaurante del Barbas.
Levantei as sobrancelhas e soltei uma gargalhada.
Estava em casa mesmo à frente do meu guarda-roupa. Javi estava lá em baixo, no parque de estacionamento à minha espera. Não queria nada que ele esperasse muito, mas eu não sabia realmente o que vestir. Depois de atirar os vestidos mais apropriados para a ocasião para cima da cama, consegui seleccionar dois. E qual dos dois escolher? Estava indecisa entre um vestido pelos joelhos em tons brancos e prateados com inúmeros brilhantes e um vestido rosa decorado com uns tons de dourado. Agarrei no telemóvel e enviei um sms de ajuda urgente à minha vizinha de cima, Inês.
“ Emergência! Vestido branco e prateado ou rosa e dourado para um jantar com uma pessoa especial? “
Passados alguns segundos:
“ O primeiro, definitivamente! Creio que essa pessoa especial seja o Espanhol, Espanholita ^^ “
“ Gracias! Gracias! Sim… por acaso é mesmo ele. Bom, tenho mesmo de me despachar. Te amo, Chica <3 “
“ De nada… boa sorte =D Também te amo, Mariza.<3 “
Assim sendo, vesti o vestido, pus uns brincos a condizer, escolhi uns sapatos de salto alto (obviamente), dei um jeitinho no meu cabelo, peguei na mala e saí.
Entrei no BMW preto e reluzente do Javi. Ele mirou-me toda, sem vergonha.
- Eres realmente hermosa!
Ao pé dele, era realmente desnecessário usar blush, porque os seus elogios faziam-me corar instantaneamente. Javi estendeu a mão e fez-me uma festinha no bochecha esquerda que flamejava.
- Te dije que me encanta cuando te ruborizas?
Comprimi os lábios.
- Sí, he dicho…
Só me apercebi que tinha falado em Espanhol com ele, quando este ligou o carro.
Já tinha saudades de falar em Espanhol todo o dia, mas a minha vida era agora em Portugal; a minha mãe já mal percebe Espanhol e também não gosta que eu fale a minha língua… Inês entende melhor, muito devido a Fernando, mas mesmo assim, não gosto de falar Espanhol com ela, pois sei que para ela é muito mais fácil o Português. Mas… eu podia falar Espanhol com Javi… seria natural e benéfico para os dois. Se calhar ele gostava tanto da minha pronúncia (que raramente ouvia) como eu amava a sua.
- En qué piensas? – perguntou ele, quebrando os meus pensamentos.
- En nada especial… - os meus olhos depositaram-se na sua mão direita, controladora das mudanças do carro. Tomei mais atenção à tatuagem que lhe rodeava o pulso. Fiquei fascinada. – Tienes una tatuaje…
Javi olhou para mim e depois para a sua tatuagem no pulso; Sorriu.
- Tengo más…
- Tienes más? Dónde? – perguntei, curiosíssima. Só depois, rezei para que não fosse em nenhum sítio… íntimo…
- Tengo esto en la muñeca – apontando para a do pulso. – Tengo este dedo – apontando para as iniciais J e G (o seu nome) no dedo mindinho da mão esquerda. – Tengo outra en el antebrazo y el brazo izquierdo y todavía tengo outra en la pierna.
- Tienes cinco! – exclamei surpreendida. – Yo no sabia que te gustaba tanto de las tatuajes.
- Mi gusta muho, sí. Y tú? Te he visto una rosa com espinas en el pulgar izquierdo.
- Sí, esto. – mexendo o polegar, onde tinha a rosa negra.
- Tienes más?
Acenei com a cabeça.
- Dónde?
- Tengo en el pie, también.
Tínhamos chegado ao restaurante.
- Quiero verla.
Javi saiu do carro e abriu-me a porta. Ainda sentada no banco cómodo do BMW, alcei o pé direito e mostrei-lhe a tatuagem que o sapato preto não cobria.
- Guapa!
- Gracias. – sorrindo-lhe.
- Si encuentra alguno de mis colegas, lo siento.
- Por qué me piedes excusa? – rindo-me com a sua expressão facial.
- Mis colegas… bueno, si ves alguno, entiendes. – piscando-me o olho. Ri-me.
Entrámos no restaurante e Javi depositou a sua mão no fundo das minhas costas.
Sentámo-nos, fizemos os pedidos e aguardámos.
Tentei não pensar muito na ironia do vinho que o Javi pediu. CASAL GARCÍA.
Agarrei no copo e traguei uns belos goles no vinho saboroso. Olhei em meu redor. Reparei que estavam quatro jogadores de futebol a olharem fixamente para mim. Roberto, Saviola, David Luiz e Salvio. Ai, que vergonha.
- Estás ruborizada de nuevo. Qué pása?
Mordi o lábio.
- Son sus cuatro colegas que nos miran.
- Ellos están buscando a ti, seguro.
- Debe ser extraño verte com otra persona que no es Elena. – disse, triste.
Javi deu-me a mão.
- Ellos saben que se acabo. Deben estar curiosos.
- Hum…
Eis senão, quatro colegas de Javi rodeiam a nossa mesa.
- Oh Javi! JAVI GARRRCÍA! – exclamou David Luiz. – É o nome dele, garota.
Pisquei os olhos, tentando não rir.
- A sua cara não mi é estranha… - continuou ele. Porque é que todos diziam o mesmo e nunca se lembravam?! – Eu conheço você?
- Sou eu que aponto o teu nome e a matricula do teu carro. – disse-lhe.
- Ah! A famosa estagiária… estou vendo. Então, Javi? É esta a garotjinha? A sua “Chica”, hein?
Javi olhou para mim, pedindo-me desculpa com o olhar… outra vez.
- Sí, David! – dando-lhe um calduço no ombro. – Mariza Martínez, mi Chica.
Corei com aquelas duas últimas palavras: mi Chica (aii aii). O que significava aquilo?
Virem-me para eles, tentando desviar o meu embaraço.
- É um prazer conhecer-vos.
- E nós somos… - David Luiz ia começar as apresentações, mas eu travei-o.
- Não são necessárias quaisquer apresentações. Conheço-vos, por causa do meu trabalho, mas também… porque sou adepta do Benfica… e também do Barcelona. – rindo-me.
- Eres mismo portuguesa? – perguntou Saviola.
- Não totalmente. Nasci em Barcelona, mas depois os meus pais separaram-se e sendo a minha mãe portuguesa, vim para Portugal desde muito pequena. – expliquei para os cinco, pois Javi ainda não sabia.
- Ah, tou vendo… então você é Portuguesa e Espanhola, é isso?
- Sou Luso-Espanhola. – sorrindo-lhe.
- Tienes de ver nuestros juegos! – exclamou Salvio.
- Ah, pois, tenho de pensar nisso. – rindo-me. – David?
- Sim?
- Tu deves conhecer a minha melhor amiga… a Inês Oliveira.
- Hum... não tou vendo, não.
- Ela vai algumas vezes a casa do Rúben.
David abana a cabeça.
- Não sei não, garota. Sabe, não vou a casa do Rúben faz tempo. Ele anda maluquinho por uma garota. Não faço ideia quem ela é, mas ele diz que ela é especial.
Fiquei super chocada! Rúben andava apaixonado por outra rapariga?! E eu a pensar que ele gostava mesmo da minha Loirinha e que a minha Loirinha estava finalmente a esquecer El Niño.
Bem, fiquei deveras surpreendida; não me costumava enganar em questões como esta...
Vieram os nossos pratos e os quatro jogadores juntaram a sua mesa à nossa.
Roberto falava comigo sobre a sua mulher e a sua filha. Disse que tínhamos de combinar um jantar os quatro: eu, Javi, ele e a sua mulher Marta, a fim de nos conhecermos melhor. Eles eram todos muito simpáticos. Notei, pelo canto do olho, que Javi e Saviola murmuravam.
( - Mariza es muy hermosa y agradable. – comenta Saviola.
- Es mucho más que eso. Es misteriosa, independiente, luchadora, muy amiga de sus amigos. Es muy buena persona… - responde Javi.
- Te gusta della? – quer Saviola saber.
- No… yo creo que la amo. – confessa Javi.
Javi não tira os olhos de Mariza. Está como que fascinado a ouvi-la falar com um dos seus grandes amigos, Roberto.
- Crees que ella siente lo mismo? – interroga Javi.
- No sé, pêro se ella queria cenar contigo… puede significar algo… - afirma Saviola. – Há dicho lo que sientes?
- No… creo que es muy temprano para eso. – confessa.
- Dale tiempo… para ella e para usted. Puedes sentirte solo sensible a causa de Elena…
- No! Yo sé lo que siento.
Os dois amigos ficaram a olhar para Mariza sem dizerem mais nada).
- Domingo? No tengo nada que hacer… aceptado! – disse então, aceitando ir ver o jogo do Benfica neste Domingo.
- Perfecto! Javi te lleva al estadio y luego le dice donde está el area VIP. Has oído, Javi? – perguntou Roberto virando-se para Javi que parece ter acordado de um sonho.
- Qué? Qué pása?
- Llevas Mariza al estádio, decirle donde es el area VIP en el Domingo.
Javi olhou para mim, intimidante.
- Quieres ver nuestro juego? – surpreendido.
- Por qué no? Claro que quiero!
- Y en el area VIP?
Não percebi muito bem a sua expressão facial ao dizer zona VIP. O que tinha de tão chocante essa zona do estádio? Bem, era onde estavam… OMG! Era onde estavam as mulheres e namoradas dos jogadores de futebol. Pois, já entendi. Javi não gostava muito da ideia de eu ocupar o lugar de Elena na zona VIP. Compreendo…
(Javi não conseguia expressar o seu entusiasmo. Mariza queria ver o seu jogo… ainda por cima, na zona VIP, local onde só as pessoas mais íntimas (namoradas e esposas) dos jogadores entravam. Será que ela compreendia o que isso queria dizer?! Será que o próprio Javi poderia tirar dali uma conclusão que lhe agradasse?! Será que Mariza gostava tanto dele como Javi gostava dela?!)
- Si no quieres que yo vaya allí, yo puedo ir a la grada. – não era mentira. Eu compreendia. Se ele não queria que eu fosse para a zona VIP eu podia ir para as bancadas normais…
- Por qué rázon no quiero que te vayas a la zona VIP?
- Hey, pessoal. Já está chegando a nossa hora. Vamos andando, tá bom? – disse David, tentando deixar-me a sós com Javi. Os dois espanhóis, um brasileiro e um argentino abandonaram-nos.
Javi repetiu a pergunta.
- Yo entiendo que no quieras que me tome el lugar de Elena...
- Qué? Que estás diciendo? Yo estaba sorprendido, por que no sabia si usted había dado cuenta de que eres especial para mí.
Fiz uma expressão confusa.
- Sabes, sólo personas muy especiales para los jugadores pueden entrar en él área VIP.
Acenei com a cabeça, com olhos inocentes.
- No me di cuenta que ya sabías que eres especial para mí...
Pestanejei os olhos.
- Eu... sou especial para ti...? – perguntei, interrompendo o nosso perfeito diálogo na nossa língua. Subitamente, ouvi ao longe Love’s Divine de Seal (música que adorava) que soava no VH1 da TV do restaurente.
Javi sorriu, como se eu fosse uma pequena criança a perguntar de onde vêm os bebés.
A resposta para ele era certa, clara, sem margem de dúvida.
- Por supuesto que es...
Tentando encolher as grossas lágrimas que ameaçavam escorrer-me pelo rosto abaixo, disse, tola:
- Me encanta esta canción...
Javi franziu levemente o sobrolho e olhou para trás, apercebendo-se que não deu conta da música que soava nos meus ouvidos, como banda sonora da confissão dele.
- Oh, mi gusta del Seal también.
Levantei as sobrancelhas finas.
- Jura!
Javi pediu a conta e não me deixou pagar (coisa que vou ter de remediar para a próxima vez. Espera! Próxima vez?! Sim, eu queria uma próxima vez!)
Já íamos a entrar para o carro dele, quando ele pousa a mão na minha, impedindo-me de abrir a porta do carro.
- Veo que te gusta mucho la música.
- Verdad. – sorrindo-lhe.
- Y el canto...?
Os meus olhos circularam, até um pouco preocupada pelo que vinha dali.
- También... – respondi a custo.
- Quieres ir a un bar de karaoke?
Fiz uma expressão surpresa.
- Tú? Cantar conmigo?
Ele fez a sua expressão mais engraçada de sempre. E acenou com a cabeça.
- Okay... – rindo-me ao entrar para o carro.
O Bar era super giro. Haviam pessoas a cantar aos pares, seguindo fincamente as letras que apareciam no ecrã. Sentei-me numa mesinha redonda e alta para duas pessoas e Javi foi nos inscrever para o karaoke. Ai, já me nasciam borboletas marotas no estômago. Ai, que nervos!
Javi veio sentar-se à minha frente.
- Sólo dos personas. – o seu dedo indicador direito voou até à pontinha do meu nariz num gesto carinhoso.
Só faltavam duas pessoas. Ui, ui.
Passados por volta de 8 minutos, foi a nossa vez. Estava a beber um IceTea de manga, quando anunciaram os nossos nomes, eriçarando-me os cabelos da nuca. O senhor disse:
- Hum... uns pombinhos apaixonados, hã? Vão cantar esta canção, então. – corei como nunca corei na vida. Apareceu o nome da música e do cantor no ecrã. Enguli em seco.
UMBERTO TOZZI – TI AMO (english version).
Javi pegou no microfone, como se este o assustasse muito menos que um canto contra o Benfica.
Já eu... preferia fazer mil e uma espargatas do que... hum... cantar aquela música a olhar para o Javi. Eu achava a música do mais romântico e íntimo que pudesse haver.
- Ti amo. Throw a coin. Ti amo. In the air. Ti amo. Heads up it means that it’s over. We’re leaving each other... I lose my breath when you reveal yourself. Is love so far from hate? – cantava ele. Quando as letras “ And I need you as I need the sun. You are forever the one” aparceram no ecrã, ele memorizou-as e cantou-as mesmo virado para mim com os olhos a brilharem.
- TI AMO! How could I hurt you so? Now I am here again... open the door to a woman who is hollow with pain! – cantei a minha parte.
Acabámos a música quase já sem ar nos pulmões. Voltámos para a nossa mesa e bebemos os nossos refrigerantes. Riamo-nos ao relembrarmos o que tinha acontecido há minutos atrás.
Tinha-me divertido imenso, apesar da intimidante música; e Javi também tinha gostado muito, pelo menos era o que eu conseguia ler nos seus olhos.
- Mañana voy a grabar un vídeo com Nélson Évora. – afirmou ele, esboçando um sorriso.
Levantei as sobrancelhas, surpreendida.
- En serio? Dónde? Sobré qué?
- Sí. – riu-se. – En el centro comercial Alegro Alfragide. Vamos a hacer una broma. Una salto a la tienda Adidas.
- QUÉ?! – quase cuspi o sumo da boca.
- Una broma, una broma. – rindo-se da minha reacção.
- Okay… - disse ainda desconfiada.
Ele coçou o bigode, um dos seus tiques. Javi tirou o telemóvel do bolso e olhou para o ecrã.
- Bueno… mañana temprano tengo entrenamiento en Seixal…
- Sí sí, eres mi hora también. No estoy acostumbrada a echarme muy tarde.
- Por qué?
- Estoy en la universidad, recuerdas?
- Ah, sí, sí. A veces me olvido. Pareces más adulta de lo que es.
Encolhi os ombros.
- Bueno, vamos? – perguntei. Javi acenou com a cabeça. Dirigiu-se ao balcão e pagou.
Fomos para o carro. Eu permaneci quieta ao pé do belo BMW. Javi olhou para mim.
- Vaya por delante. Voy a tomar el autobús.
Ele abanou a cabeça.
- No digas tonterías! Yo té llevaré a casa.
- No, no señor! Mañana hay que levantarse temprano. No quiero retrasar más.
- No me molesta. Sólo necesito que me digas el camino.
Eu fiquei no mesmo sítio.
- Estoy esperando…
Suspirei profundamente e entrei no carro.
Quando estávamos em frente à minha casa, disse-lhe:
- Gracias por todo.
- Yo lo aprecio. – agradeceu ele também, fazendo-me festinhas nas bochechas. – Quieres ver nuestro entrenamiento? – perguntou tão depressa, como uma rajada de vento forte. Mal o percebi.
- Qué?
Javi clareou a garganta e disse mais calmamente.
- Quieres ver nuestro entrenamiento?
A questão apanhou-me de surpresa.
- A qué hora?
- 10h30 en Seixal.
- Hum… muy bién! Por la mañana no tengo nada que hacer, solo por la tarde tengo clase de Danza.
- Perfecto, entonces. Yo vengo recogerte a las 8h30. Y no me digas que te vas solo.
Comprimi os lábios.
- Okay… buenas noches. – aproximei-me dele e depositei-lhe um beijo na face.
Abri a porta e subi as escadinhas do prédio. Entrei. O BMW ainda estava lá. Comecei a subir alguns degraus e espreitei. Continuava lá.
Subi a escadas até à porta de Inês. Oh, tinha tanta coisa para lhe contar, tanta coisa para atirar cá para fora. Ai, Jesus! Tive de morder várias vezes o interior das bochechas para impedir que aquele sorriso parvo estampado na minha cara parasse. Bati à porta. Nada. Bati outra vez. Hum…nada. Toquei à campainha, furtivamente. Passados alguns minutos e alguns barulhos estranhos, abriram a porta. Esbugalhei os olhos.
- FERNANDO? – sim, era mesmo o Fernando Torres, especado à minha frente em tronco nu e umas diminutas hum… boxers… - Eu, hum… será que a Inês tem um pau de canela que me dê…? – perguntei a pergunta mais tosca que tinha perguntado em 18 anos de existência. – Sabes, hum… vou fazer hum… arroz doce e preciso mesmo de um pau de canela.
Isso! Isso! Afunda-te mais. Detesto arroz doce! E que tal pirares-te sem incomodares mais?!
- Usted va a hacer arroz com leche a las 23 horas?
- Exacto! Hum… apetece-me mesmo.
- Muy bién. Espere un poço… - disse ele, entrando de novo em casa e dirigindo-se à cozinha.
Milagrosa fuga! Corri pelas escadas abaixo e entrei em casa.
8º CAPÍTULO - narrado por Inês Oliveira
Javi pegou Mariza pela mão levantando-a lentamente:
- Estás bien? Quién era ese imbécil?
- Estou Gracias. Não sei bem o que lhe deu, nem porque fez isto. Foste um herói. Obrigada mais uma vez. – Dizia Mariza com os seus olhos verdes a brilharem mas a sua cabeça ainda em choque com o que acabará de acontecer.
- Lo Siento, no leves a mal, pero me tengo de ir para el entrenamiento si no el mister me mata. Te veo aquí cuado salir? – Disse Javi enquanto se afastava em direcção à porta de acesso aos Balneários para se equipar.
No Treino – Relvado:
- Agora formem pares e comecem a correr ah volta do campo. – Mandava Jorge Jesus. (o treinador)
- Ei Manz, cê fica comigo? – Perguntava o David Luiz ao Rúben Amorim, mas este estava completamente distraído e não respondeu.
- Ei! Manz! Cê tá aí? – Insistia o David enquanto dava toques no ombro do Rúben para o chamar à atenção.
- Hã, há, sim, desculpa. – Respondeu o Rúben.
- Finalmente. Cê tava ondji?
- Deixa-te de disparates. Vamos treinar ou não?
Enquanto davam já algumas voltas:
- Manz, que cê tem? – Perguntava o David preocupado.
- Eu? Nada, porque a pergunta? – Disfarçava o Rúben.
- Cê tá muito estranho. Mi conta cara. Se bem tji conheço, tem garota metida né?
- Mano ela é perfeita, passamos a noite juntos….
- Tô vendo, malandro…
- Não, não tas a ver nada, não foi nada disso. Ela é mesmo especial. Meu! Nunca conheci ninguém igual.
- Ui, cê tá mesmo apanhadinho.
- Opá não digas isso. Espero que não. Não…, não posso tar.
- Calma aí rapaz. Agora não tou entendendo nada. Mais você não disse que a garota era perfeita?
- Disse.
- Então e tá dizendo que não quer nada com ela?
- Não é isso. É complicado.
- Isso tô vendo eu. Cê não desiste fácil não. Mi explica então.
- É que ela tem namorado e ao que parece gosta mesmo muito dele.
- Há tá tudo explicado. Mas não tem jeito dessa garota ficar com você? É qui né? Cê é jogador dji futjibol.
- Pois e o namorado também.
- Jura. A gentji conhece ele?
- Mais ou menos, mas eu vou dar um jeito.
- É isso aí Manz, assim sim é o Rúben que eu conheço. Mas veja lá qui vai fazer.
O treinador apita e os jogadores são mandados para os balneários. O Javi foi o 1º a entrar, seguido de Rúben e David.
- Vocês estão com muita pressa. – Dizia o David.
- Tengo que ir a tener con una Chica. – Dizia Javi enquanto tomava um duche rápido e se arranjava.
- E eu tenho de ir ver se a minha Deusa já está melhor.
Acaba Rúben de falar e logo se seguida ouvem-se uns assobios e comentários vindos do fundo dos duches.
- Tô mi sentido mal. Todo mundo namorando e saindo, e eu aqui, sozinho. – Resmungava o David.
- Hó não digas isso manz. Vais ver que um dia destes vai aparecer a miúda dos teus sonhos, a tua cara metade, e mais cedo do que imaginas. Agora fica bem que eu tenho de ir. Xau!
- Yo también voy. Pera que voy contigo para el estacionamiento.
No estacionamento:
- Olá. – Disse Rúben. Notava-se que estava com pressa.
- Olá. Como estás desde esta manhã? – Respondeu Mariza com um sorriso malandro na cara.
- Pera ahí? Se conocen? – Interrompeu Javi.
- Isso agora não importa. Sabes se a Inês está em casa?
- Sim, acho que já deve estar. Ela disse-me que tinha de preparar umas coisas e que não ia a tua casa.
- Hum…Ok, vou passar por lá então. Fica bem.
- Adeus!
- Ya podemos hablar?
- Desculpa, claro.
- Bueno creo que ahora tienes dos cosas para explicarme. Que me dices de un cafézinho allí en el Colombo?
- Aceito, mas tens de esperar um bocado, se não te importares, é que ainda estou de serviço.
- Claro que no me importo. Siendo así Yo estoy aquí para hacerte compañía.
Há porta do prédio de Inês e Mariza, já se encontrava que Rúben que se depara com a porta do prédio aberta e decide assim subir. Estava já frente a frente com a porta da casa de Inês e toca.
- Quem será? Não estou há espera de ninguém? É o Fernando? Ai meu deus é o Fernando e ainda não tou vestida como deve ser. Não, não pode ser ele. – Abro a porta. – Rúben? Que fazes aqui?
- Olá, vim saber como estavas.
- Entra, fica há vontade.
- Estás melhor?
- Sim sim, muito melhor, obrigada.
- Ainda bem. Pareces muito nervosa. Passa-se alguma coisa?
- Hó Rúben. Sabes bem que o Fernando chega este fim-de-semana. Tenho de ter tudo a jeito para quando ele chegar.
- Há, o Fernando, pois é.
- Cabeça a minha. Queres alguma coisa?
- Ya, quero-te a ti. – Murmurou Rúben.
- Disses-te alguma coisa?
- Disse que não queria, estou bem, obrigado. Se estiver a incomodar e quiseres que eu me vá embora diz.
- Não sejas tonto. Fica há vontade. Eu é que peço desculpa por não te dar muita atenção. Olha vou agora no instante ao meu quarto , alguma coisa chama.
- Ok, e tu se precisares de ajuda diz.
A campainha toca:
- Vai ver quem é pff.
Rúben abre a porta e fica de boca aberta enquanto segurava a maçaneta.
- Hola mi amor. Espera tú no eres mi novia! Me quieren ver que me engañé en la dirección?
- Rúben quem é? – Perguntava eu vindo pelo corredor saida do meu quarto. Quando reparo bem e vejo que há minha porta estava o homem que me andava a deixar louca de saudades.- FERNANDO, meu amor, que saudades. – Corri em direcção aos seus braços.
- Quién es este? – Disse Fernando desconfiado e com frieza.
- Um amigo, não comeces com coisas. Fernando este é o Rúben Amorim, Rúben este é o Fernando Torres. Vieste mais cedo. Pensava que só vinhas amanhã.
- Conseguí venir más cedo y decidí hacerte una sorpresa, creí que ibas a gustar. Pero ahora no sé se fue una buena idea. – Disse o Fernando sem tirar os olhos de Rúben.
- Hó, tas tonto?! Eu adorei. Mas anda entra. Eu ajudo-te com as malas. Como correu a viagem? Vais ficar cá em casa certo?
- Yo estaba pensando en permanecer en un hotel.
Rúben revira os olhos.
- Hotel? Fica aqui. Temos de aproveitar. – Dizia eu enquanto me aproximava de Fernando para o beijar apaixonadamente.
- Pero aún no percibí que hace este tipo aquí?
- Veio ver como eu estava, como bom AMIGO que é. Mas já estou melhor. BEM MELHOR. Por isso já estava de saída. Não estavas Rúben?
- Aaaa… Por acaso estava a pensar em ficar a fazer-vos companhia, hoje não tenho nada combinado.
- Mas como podes ver já tenho companhia. – Tentava eu despachar o Rúben e reparava que o Fernando já não estava a gostar lá muito da brincadeira.
- Espera ahí? Ver se estaba mejor? Que me está escapando?
- Sim, esquece, já passou, agora estás aqui é o que interessa neste momento.
- No, no, si mi niña no tiene estado bien, yo quiero saber. Él no dije aquello sólo por decir. Creo you.
- Nunca lhe disses-te? – Disse Rúben questionando-me. Voltando-se novamente para Fernando:
- É muito difícil perceberes? Então eu passo a explicar….- Ia dizendo Rúben um bocado irritado com a situação.
- Não Rúben! ACABOU!
- Acabou nada, ele tem de saber. A Inês tem chorado dias e dias por tua causa. Meu! Tu não percebes que ela gosta mesmo de ti. E agora tu apareces aqui assim depois de tanto tempo a achar que tá tudo óptimo e ainda vens com a lata toda a perguntar o que ela tem!
- Es cierto lo que dice? – Perguntou-me Fernando preocupado.
Baixei a cabeçae sem os nosso olhares se cruzarem respondi:
- É!
- Por qué no me cuentas te?
- Eu não te queria preocupar, e além do mais que adiantava? Não te podias meter num avião e vires, tens lá a tua equipa, os teus treinos, os teus jogos,…
- Hó yo por ti hacía cualquier cosa mi amor. Pero vaya, ya que estás bien mejor, donde vamos cena?
-Eu conheço um óptimo restaurante. – Metia-se Rúben na conversa fazendo-se de convidado.
- Pero él va con nosotros? – Retorquiu Fernando num tom bravio fazendo-me alerta de que queria um jantar só nosso, só nós os dois.
- Eu acho que não tem mal. – Respondi eu, não conseguindo dizer não ao Rúben, aliás acho que não conseguia dizer a ninguém.
- Estás bromeando no? – Insistia Fernando, já a não gostar muito da ideia.
- Que foi Fernando? Qual é a tua? Que se passa? Se não queres que o Rúben vá diz logo!
- Desculpem interromper mas se eu incomodar muito posso ir embora!
- É que nem penses! - Disse já exaltada com tanta confusão. Eu nem tava a reconhecer o meu namorado, ele não era assim, nunca foi, não percebia de onde vinha aquela atitude, que mal tinha um amigo meu ir jantar connosco? Aliás, depois de tudo o que o Rúben fez por mim ele merecia este jantar. - Não sei o que se passa contigo Fernando, mas é melhor acalmares-te, vamos todos jantar, apanhar um bocadinho de ar e depois voltamos para casa nada de mais.
- Tienes razón mi amor, no sé lo que me dio! Lo siento Rúben.
- Na boa.
- Vá agora que estamos todos mais calmos, vamo-nos arranjar para o jantar. Rúben também vais e quando tiver mais na hora de jantar apareces, ok?
- Ás 21h? Está bom?
- Perfeito, até já então.
Despedimo-nos de Rúben, fiquei no hall a olhar para a porta quando me volto, reparei nos olhos castanhos de Fernando postos em mim:
- Que se passa? Por que me olhas assim?
- Por qué no le dice nada? Porque era con él que hablabas? Inês, tú aún me amas?
- Ai que disparate. Que conversa é esta Fernando? Vou mas é mudar de roupa. – Disse já não estando a perceber nada e talvez fosse melhor nem tentar perceber e virando as costas em direcção ao meu quarto.
- Espera! – Disse agarrando-me no braço. - Por qué no has respondido?
- Hó Fernando e é preciso? – Beijei-o apaixonadamente. – Esta resposta serve? Vá agora vai mas é vestir-te. Fica há vontade.
Fui para o meu quarto escolher um belo vestido para o jantar. Abri o guarda-roupa e no meio de tantos vestidos que tinha trazido de Espanha não sabia por onde me agarrar, nem o que escolher. Ai a Mariza fazia-me tanta falta nestes momentos, ela sabia sempre o que vestir nas ocasiões certas, enfim, agarrei num monte de vestidos e coloquei-os em cima da cama. Bem não era um jantar muito formal, nem nada de cerimónias, ia ser com um amigo e o meu namorado, por isso nada de grandes coisas… Depois de tanto remexer nos vestidos acabei por encontrar um perfeito. Agarrei no vestido ele era metade bege/cinza metade preto, com um laço em uma das alças, escolhi uns sapatos e uns acessórios a condizer. Pousei tudo em cima da cama, e fui tomar um duche rápido. O Fernando já me esperava. Entretanto chega também o Rúben, e ambos me aguardavam em silêncio na sala. Não queria demorar muito, pois não era nada dessas coisas e não os queria fazer esperar. Coloquei um glosse, uns brincos, coloquei as pulseiras um anel, borrifei-me com um bocadinho de perfume, e fui ter com eles há sala.
- Chica, estás mucho hermosa.- Disse logo Fernando levantando-se automaticamente do sofá ao ver-me entrando na sala.
- Uau Inês, estás um espanto. Nem pareces tu.
- Sem exageros ok meninos. Bem e onde vamos exactamente Sr. Rúben?
- Em breve saberás. – Dizia ele, fazendo suspense.
Descemos as escadas do prédio, até ao parque de estacionamento, e fomos em diracção ao carro do Rúben, já que o Fernando não tinha trazido de Londres o dele. Entramos, o Rúben ia a conduzir, no banco ao lado ia o Fernando, e eu ia nos bancos de trás. Foi silêncio mortal até ao restaurante. Rúben estacionou, saímos do carro, e há medida que caminhávamos para a entrada do restaurante Fernando pegou-me na mão, e entrámos. Lá dentro uns dos empregados indicou-nos uma mesa, sentamo-nos. Veio outro empregado que nos perguntou o que bebíamos e nos deu a ementa, cada um escolheu o seu prato e a sua bebida. Não tardou muito já tinha-mos os pratos há nossa frente.
- Então como vão as coisas lá por Londres? Lá o futebol exige mais, é puxado. – Dizia Rúben rompendo o silêncio, tentando ter uma conversa civilizada com Fernando.
- Pronto, já estava a estranhar não tocarem no assunto ‘Futebol’. – Resmungava eu.
- Sí, es más difícil pero una persona acaba por habituarse y yo también ya estaba en liverpool no cambia mucho en la reacción el Chelsea, y los juegos son de gran calidad.
- Que foi Inês? Queres que mudemos de assunto? – Disse Rúben.
- Não não, só disse isto porque ainda nenhum de vós tinha falado em futebol. E sei bem como vocês são. – Disse rindo, porque enquanto estava em Barcelona o Fernando falava-me muito de Futebol e quando estava em casa do Rúben a fazer o trabalho com o Mauro era a mesma coisa, eu cá não me importava, eu adorava futebol.
- Y tú? como te están corriendo las cosas aquí?
- Bem, muito bem, assinei um contrato até 2013 com o Benfica, e é por cá que tenciono ficar, este é o meu clube e é por ele que tenho orgulho em jogar.
- Ahah, tão lindo, até já fazes rimas com o nosso grande clube.
- Eh, já sabes como é, inspira qualquer um.
- Quando é o próximo jogo? Já tenho saudades de ver o Glorioso em altas!
-Estás com saudades de ver um JOGO ou os JOGADORES? A propósito, podias vir ver o nosso jogo no Domingo! Assim levavas um mega cartaz para eu te dar a camisola. O que dizes?
- Ai tão modesto que eu sou. Não seja convencido menino Rúben. Mas é claro que vou apoiar o meu clube. Só o clube! Espera. – Virei-me para o Fernando. – Ficas cá até quando?
- Aún no está seguro. – Respondeu Fernando ainda com um assuntos por tratar, e só depois disso é que iria. - Pero se quieras ir va.
- Achas? Estás cá e só temos de aproveitar.
- Então isso significa que já não vais? – Perguntou-me o Rúben com um olhar entristecido.
- Hum… eu amanhã digo-te ao certo se vou ou não.
- Boa! Não te esqueças do cartaz.
- Rúben! Eu ainda não disse que ia.
- Eu sei que vais.
Fernando levanta-se enfurecido da cadeira:
-Creo que me voy.
- Estás doido? Vais para onde? Senta-te mas é, ainda nem acabas-te de jantar.
- Parece que no estoy haciendo aquí mucha falta.
- é só parecer mesmo! Só um minutinho Rúben. – Puxei o Fernando pelo braço e arrastei-o até há entrada do restaurante.
- Que é que se passa contigo Fernando? Eu sei que tu não és destas coisas, por isso não estou a perceber a tua atitude. 1º a cena lá em casa, agora isto? Tu não estás bem. Não gostas do Rúben é isso?
- No me gusta? Tú es que pareces que te gusta demasiado.
- Ai não acredito. Estás com ciúmes Fernando Torres?
- Vas a decir ahora que no tengo razones? Vosotros es sólo sorrisinhos y que conversa fue aquella del suéter?
- Abusos do Rúben. Hó meu amor, achas mesmo que podia haver alguma coisa entre mim e o Rúben? E tu ainda ligas ás conversas dele? Tolo, sabes bem que te amo.
- Lo siento mi amor. Estoy siendo un idiota y la ruina de la noche. Lo siento.
- Sabes, eu até achei fofo. Ficas ainda mais lindo assim cheio de ciúmes. Vá, mas agora vamos esquecer este mal entendido e vamos acabar de jantar. Temos de aproveitar muito bem a nossa noite.
- Claro, así espero. Terminamos la cena?
- Vamos.
Segui há frente. Fernando puxou-me pelo braço fazendo-me ir de novo ao seu encontro, beijando-me apaixonadamente.
- Te amo.
Sorri e de mãos dadas voltamos a entrar no restaurante. Sentámo-nos novamente.
- Inês passa-se alguma coisa? Está tudo bem?
- Está, não te preocupes. – Pisquei-lhe o olho para o descansar.
Concluímos o nosso prato e pedimos a sobremesa. O resto do jantar continuou calmamente e sem grandes conversas. O Rúben insistiu em pagar já que tinha sido ele a mostrar-nos o restaurante. Pagamos e fomos para o carro onde de seguida íamos para casa.
Já no estacionamento do prédio:
- Adorei o restaurante. – Disse eu.
- Só o restaurante? – Questionou o Rúben com o seu ar de malandro.
- Vá, também gostei da comida. – Notei que a cara dele estava a tentar dizer-me: só? E eu percebi o que ele queria ouvir e decidi assim deixa-lo feliz. – Pronto a companhia também não foi má.
- Não foi má? Tenho a certeza que adoras-te. Já está a ficar tarde, vemo-nos amanhã?
- Não sei, depois mando-te uma mensagem.
- Oh, ok, vou indo então. Beijinhos. – Despedimo-nos com dois beijinhos na bochecha. – Trata bem dela és um homem cheio de sorte. – Dizia ao Fernando, enquanto davam um forte aperto de mão.
- Yo sé.
O Rúben voltou a entrar no carro. Fernando e eu fomos subindo as escadas até minha casa. Estávamos já á porta, enquanto eu procurava a chaves de casa na mala, (eu odiava malas, acabava sempre por perder as minhas coisas lá dentro) o Fernando agarrou delicadamente os poucos cabelos soltos que tinha junto ao pescoço e ia-o beijando calorosamente. Abri a porta. O Fernando virou-me para ele, e beijo-me apaixonadamente. Sem separar-mos as nossas bocas ele tirou as chaves da porta e fecho-a. Ainda sem as nossas bocas se descolarem caminhávamos em direcção ao quarto. O Fernando começou a desapertar-me o vestido e eu tirei-lhe a t-shirt que levava vestida. Chegados ao quarto Fernando pousou-me cuidadosamente sobre a cama, onde iríamos permanecer pelo resto da noite. Pensávamos nós, porque entretanto tocam há campainha. Quem seria a uma hora daquelas? Quem interrompia aquele casal feliz?
- Estás bien? Quién era ese imbécil?
- Estou Gracias. Não sei bem o que lhe deu, nem porque fez isto. Foste um herói. Obrigada mais uma vez. – Dizia Mariza com os seus olhos verdes a brilharem mas a sua cabeça ainda em choque com o que acabará de acontecer.
- Lo Siento, no leves a mal, pero me tengo de ir para el entrenamiento si no el mister me mata. Te veo aquí cuado salir? – Disse Javi enquanto se afastava em direcção à porta de acesso aos Balneários para se equipar.
No Treino – Relvado:
- Agora formem pares e comecem a correr ah volta do campo. – Mandava Jorge Jesus. (o treinador)
- Ei Manz, cê fica comigo? – Perguntava o David Luiz ao Rúben Amorim, mas este estava completamente distraído e não respondeu.
- Ei! Manz! Cê tá aí? – Insistia o David enquanto dava toques no ombro do Rúben para o chamar à atenção.
- Hã, há, sim, desculpa. – Respondeu o Rúben.
- Finalmente. Cê tava ondji?
- Deixa-te de disparates. Vamos treinar ou não?
Enquanto davam já algumas voltas:
- Manz, que cê tem? – Perguntava o David preocupado.
- Eu? Nada, porque a pergunta? – Disfarçava o Rúben.
- Cê tá muito estranho. Mi conta cara. Se bem tji conheço, tem garota metida né?
- Mano ela é perfeita, passamos a noite juntos….
- Tô vendo, malandro…
- Não, não tas a ver nada, não foi nada disso. Ela é mesmo especial. Meu! Nunca conheci ninguém igual.
- Ui, cê tá mesmo apanhadinho.
- Opá não digas isso. Espero que não. Não…, não posso tar.
- Calma aí rapaz. Agora não tou entendendo nada. Mais você não disse que a garota era perfeita?
- Disse.
- Então e tá dizendo que não quer nada com ela?
- Não é isso. É complicado.
- Isso tô vendo eu. Cê não desiste fácil não. Mi explica então.
- É que ela tem namorado e ao que parece gosta mesmo muito dele.
- Há tá tudo explicado. Mas não tem jeito dessa garota ficar com você? É qui né? Cê é jogador dji futjibol.
- Pois e o namorado também.
- Jura. A gentji conhece ele?
- Mais ou menos, mas eu vou dar um jeito.
- É isso aí Manz, assim sim é o Rúben que eu conheço. Mas veja lá qui vai fazer.
O treinador apita e os jogadores são mandados para os balneários. O Javi foi o 1º a entrar, seguido de Rúben e David.
- Vocês estão com muita pressa. – Dizia o David.
- Tengo que ir a tener con una Chica. – Dizia Javi enquanto tomava um duche rápido e se arranjava.
- E eu tenho de ir ver se a minha Deusa já está melhor.
Acaba Rúben de falar e logo se seguida ouvem-se uns assobios e comentários vindos do fundo dos duches.
- Tô mi sentido mal. Todo mundo namorando e saindo, e eu aqui, sozinho. – Resmungava o David.
- Hó não digas isso manz. Vais ver que um dia destes vai aparecer a miúda dos teus sonhos, a tua cara metade, e mais cedo do que imaginas. Agora fica bem que eu tenho de ir. Xau!
- Yo también voy. Pera que voy contigo para el estacionamiento.
No estacionamento:
- Olá. – Disse Rúben. Notava-se que estava com pressa.
- Olá. Como estás desde esta manhã? – Respondeu Mariza com um sorriso malandro na cara.
- Pera ahí? Se conocen? – Interrompeu Javi.
- Isso agora não importa. Sabes se a Inês está em casa?
- Sim, acho que já deve estar. Ela disse-me que tinha de preparar umas coisas e que não ia a tua casa.
- Hum…Ok, vou passar por lá então. Fica bem.
- Adeus!
- Ya podemos hablar?
- Desculpa, claro.
- Bueno creo que ahora tienes dos cosas para explicarme. Que me dices de un cafézinho allí en el Colombo?
- Aceito, mas tens de esperar um bocado, se não te importares, é que ainda estou de serviço.
- Claro que no me importo. Siendo así Yo estoy aquí para hacerte compañía.
Há porta do prédio de Inês e Mariza, já se encontrava que Rúben que se depara com a porta do prédio aberta e decide assim subir. Estava já frente a frente com a porta da casa de Inês e toca.
- Quem será? Não estou há espera de ninguém? É o Fernando? Ai meu deus é o Fernando e ainda não tou vestida como deve ser. Não, não pode ser ele. – Abro a porta. – Rúben? Que fazes aqui?
- Olá, vim saber como estavas.
- Entra, fica há vontade.
- Estás melhor?
- Sim sim, muito melhor, obrigada.
- Ainda bem. Pareces muito nervosa. Passa-se alguma coisa?
- Hó Rúben. Sabes bem que o Fernando chega este fim-de-semana. Tenho de ter tudo a jeito para quando ele chegar.
- Há, o Fernando, pois é.
- Cabeça a minha. Queres alguma coisa?
- Ya, quero-te a ti. – Murmurou Rúben.
- Disses-te alguma coisa?
- Disse que não queria, estou bem, obrigado. Se estiver a incomodar e quiseres que eu me vá embora diz.
- Não sejas tonto. Fica há vontade. Eu é que peço desculpa por não te dar muita atenção. Olha vou agora no instante ao meu quarto , alguma coisa chama.
- Ok, e tu se precisares de ajuda diz.
A campainha toca:
- Vai ver quem é pff.
Rúben abre a porta e fica de boca aberta enquanto segurava a maçaneta.
- Hola mi amor. Espera tú no eres mi novia! Me quieren ver que me engañé en la dirección?
- Rúben quem é? – Perguntava eu vindo pelo corredor saida do meu quarto. Quando reparo bem e vejo que há minha porta estava o homem que me andava a deixar louca de saudades.- FERNANDO, meu amor, que saudades. – Corri em direcção aos seus braços.
- Quién es este? – Disse Fernando desconfiado e com frieza.
- Um amigo, não comeces com coisas. Fernando este é o Rúben Amorim, Rúben este é o Fernando Torres. Vieste mais cedo. Pensava que só vinhas amanhã.
- Conseguí venir más cedo y decidí hacerte una sorpresa, creí que ibas a gustar. Pero ahora no sé se fue una buena idea. – Disse o Fernando sem tirar os olhos de Rúben.
- Hó, tas tonto?! Eu adorei. Mas anda entra. Eu ajudo-te com as malas. Como correu a viagem? Vais ficar cá em casa certo?
- Yo estaba pensando en permanecer en un hotel.
Rúben revira os olhos.
- Hotel? Fica aqui. Temos de aproveitar. – Dizia eu enquanto me aproximava de Fernando para o beijar apaixonadamente.
- Pero aún no percibí que hace este tipo aquí?
- Veio ver como eu estava, como bom AMIGO que é. Mas já estou melhor. BEM MELHOR. Por isso já estava de saída. Não estavas Rúben?
- Aaaa… Por acaso estava a pensar em ficar a fazer-vos companhia, hoje não tenho nada combinado.
- Mas como podes ver já tenho companhia. – Tentava eu despachar o Rúben e reparava que o Fernando já não estava a gostar lá muito da brincadeira.
- Espera ahí? Ver se estaba mejor? Que me está escapando?
- Sim, esquece, já passou, agora estás aqui é o que interessa neste momento.
- No, no, si mi niña no tiene estado bien, yo quiero saber. Él no dije aquello sólo por decir. Creo you.
- Nunca lhe disses-te? – Disse Rúben questionando-me. Voltando-se novamente para Fernando:
- É muito difícil perceberes? Então eu passo a explicar….- Ia dizendo Rúben um bocado irritado com a situação.
- Não Rúben! ACABOU!
- Acabou nada, ele tem de saber. A Inês tem chorado dias e dias por tua causa. Meu! Tu não percebes que ela gosta mesmo de ti. E agora tu apareces aqui assim depois de tanto tempo a achar que tá tudo óptimo e ainda vens com a lata toda a perguntar o que ela tem!
- Es cierto lo que dice? – Perguntou-me Fernando preocupado.
Baixei a cabeçae sem os nosso olhares se cruzarem respondi:
- É!
- Por qué no me cuentas te?
- Eu não te queria preocupar, e além do mais que adiantava? Não te podias meter num avião e vires, tens lá a tua equipa, os teus treinos, os teus jogos,…
- Hó yo por ti hacía cualquier cosa mi amor. Pero vaya, ya que estás bien mejor, donde vamos cena?
-Eu conheço um óptimo restaurante. – Metia-se Rúben na conversa fazendo-se de convidado.
- Pero él va con nosotros? – Retorquiu Fernando num tom bravio fazendo-me alerta de que queria um jantar só nosso, só nós os dois.
- Eu acho que não tem mal. – Respondi eu, não conseguindo dizer não ao Rúben, aliás acho que não conseguia dizer a ninguém.
- Estás bromeando no? – Insistia Fernando, já a não gostar muito da ideia.
- Que foi Fernando? Qual é a tua? Que se passa? Se não queres que o Rúben vá diz logo!
- Desculpem interromper mas se eu incomodar muito posso ir embora!
- É que nem penses! - Disse já exaltada com tanta confusão. Eu nem tava a reconhecer o meu namorado, ele não era assim, nunca foi, não percebia de onde vinha aquela atitude, que mal tinha um amigo meu ir jantar connosco? Aliás, depois de tudo o que o Rúben fez por mim ele merecia este jantar. - Não sei o que se passa contigo Fernando, mas é melhor acalmares-te, vamos todos jantar, apanhar um bocadinho de ar e depois voltamos para casa nada de mais.
- Tienes razón mi amor, no sé lo que me dio! Lo siento Rúben.
- Na boa.
- Vá agora que estamos todos mais calmos, vamo-nos arranjar para o jantar. Rúben também vais e quando tiver mais na hora de jantar apareces, ok?
- Ás 21h? Está bom?
- Perfeito, até já então.
Despedimo-nos de Rúben, fiquei no hall a olhar para a porta quando me volto, reparei nos olhos castanhos de Fernando postos em mim:
- Que se passa? Por que me olhas assim?
- Por qué no le dice nada? Porque era con él que hablabas? Inês, tú aún me amas?
- Ai que disparate. Que conversa é esta Fernando? Vou mas é mudar de roupa. – Disse já não estando a perceber nada e talvez fosse melhor nem tentar perceber e virando as costas em direcção ao meu quarto.
- Espera! – Disse agarrando-me no braço. - Por qué no has respondido?
- Hó Fernando e é preciso? – Beijei-o apaixonadamente. – Esta resposta serve? Vá agora vai mas é vestir-te. Fica há vontade.
Fui para o meu quarto escolher um belo vestido para o jantar. Abri o guarda-roupa e no meio de tantos vestidos que tinha trazido de Espanha não sabia por onde me agarrar, nem o que escolher. Ai a Mariza fazia-me tanta falta nestes momentos, ela sabia sempre o que vestir nas ocasiões certas, enfim, agarrei num monte de vestidos e coloquei-os em cima da cama. Bem não era um jantar muito formal, nem nada de cerimónias, ia ser com um amigo e o meu namorado, por isso nada de grandes coisas… Depois de tanto remexer nos vestidos acabei por encontrar um perfeito. Agarrei no vestido ele era metade bege/cinza metade preto, com um laço em uma das alças, escolhi uns sapatos e uns acessórios a condizer. Pousei tudo em cima da cama, e fui tomar um duche rápido. O Fernando já me esperava. Entretanto chega também o Rúben, e ambos me aguardavam em silêncio na sala. Não queria demorar muito, pois não era nada dessas coisas e não os queria fazer esperar. Coloquei um glosse, uns brincos, coloquei as pulseiras um anel, borrifei-me com um bocadinho de perfume, e fui ter com eles há sala.
- Chica, estás mucho hermosa.- Disse logo Fernando levantando-se automaticamente do sofá ao ver-me entrando na sala.
- Uau Inês, estás um espanto. Nem pareces tu.
- Sem exageros ok meninos. Bem e onde vamos exactamente Sr. Rúben?
- Em breve saberás. – Dizia ele, fazendo suspense.
Descemos as escadas do prédio, até ao parque de estacionamento, e fomos em diracção ao carro do Rúben, já que o Fernando não tinha trazido de Londres o dele. Entramos, o Rúben ia a conduzir, no banco ao lado ia o Fernando, e eu ia nos bancos de trás. Foi silêncio mortal até ao restaurante. Rúben estacionou, saímos do carro, e há medida que caminhávamos para a entrada do restaurante Fernando pegou-me na mão, e entrámos. Lá dentro uns dos empregados indicou-nos uma mesa, sentamo-nos. Veio outro empregado que nos perguntou o que bebíamos e nos deu a ementa, cada um escolheu o seu prato e a sua bebida. Não tardou muito já tinha-mos os pratos há nossa frente.
- Então como vão as coisas lá por Londres? Lá o futebol exige mais, é puxado. – Dizia Rúben rompendo o silêncio, tentando ter uma conversa civilizada com Fernando.
- Pronto, já estava a estranhar não tocarem no assunto ‘Futebol’. – Resmungava eu.
- Sí, es más difícil pero una persona acaba por habituarse y yo también ya estaba en liverpool no cambia mucho en la reacción el Chelsea, y los juegos son de gran calidad.
- Que foi Inês? Queres que mudemos de assunto? – Disse Rúben.
- Não não, só disse isto porque ainda nenhum de vós tinha falado em futebol. E sei bem como vocês são. – Disse rindo, porque enquanto estava em Barcelona o Fernando falava-me muito de Futebol e quando estava em casa do Rúben a fazer o trabalho com o Mauro era a mesma coisa, eu cá não me importava, eu adorava futebol.
- Y tú? como te están corriendo las cosas aquí?
- Bem, muito bem, assinei um contrato até 2013 com o Benfica, e é por cá que tenciono ficar, este é o meu clube e é por ele que tenho orgulho em jogar.
- Ahah, tão lindo, até já fazes rimas com o nosso grande clube.
- Eh, já sabes como é, inspira qualquer um.
- Quando é o próximo jogo? Já tenho saudades de ver o Glorioso em altas!
-Estás com saudades de ver um JOGO ou os JOGADORES? A propósito, podias vir ver o nosso jogo no Domingo! Assim levavas um mega cartaz para eu te dar a camisola. O que dizes?
- Ai tão modesto que eu sou. Não seja convencido menino Rúben. Mas é claro que vou apoiar o meu clube. Só o clube! Espera. – Virei-me para o Fernando. – Ficas cá até quando?
- Aún no está seguro. – Respondeu Fernando ainda com um assuntos por tratar, e só depois disso é que iria. - Pero se quieras ir va.
- Achas? Estás cá e só temos de aproveitar.
- Então isso significa que já não vais? – Perguntou-me o Rúben com um olhar entristecido.
- Hum… eu amanhã digo-te ao certo se vou ou não.
- Boa! Não te esqueças do cartaz.
- Rúben! Eu ainda não disse que ia.
- Eu sei que vais.
Fernando levanta-se enfurecido da cadeira:
-Creo que me voy.
- Estás doido? Vais para onde? Senta-te mas é, ainda nem acabas-te de jantar.
- Parece que no estoy haciendo aquí mucha falta.
- é só parecer mesmo! Só um minutinho Rúben. – Puxei o Fernando pelo braço e arrastei-o até há entrada do restaurante.
- Que é que se passa contigo Fernando? Eu sei que tu não és destas coisas, por isso não estou a perceber a tua atitude. 1º a cena lá em casa, agora isto? Tu não estás bem. Não gostas do Rúben é isso?
- No me gusta? Tú es que pareces que te gusta demasiado.
- Ai não acredito. Estás com ciúmes Fernando Torres?
- Vas a decir ahora que no tengo razones? Vosotros es sólo sorrisinhos y que conversa fue aquella del suéter?
- Abusos do Rúben. Hó meu amor, achas mesmo que podia haver alguma coisa entre mim e o Rúben? E tu ainda ligas ás conversas dele? Tolo, sabes bem que te amo.
- Lo siento mi amor. Estoy siendo un idiota y la ruina de la noche. Lo siento.
- Sabes, eu até achei fofo. Ficas ainda mais lindo assim cheio de ciúmes. Vá, mas agora vamos esquecer este mal entendido e vamos acabar de jantar. Temos de aproveitar muito bem a nossa noite.
- Claro, así espero. Terminamos la cena?
- Vamos.
Segui há frente. Fernando puxou-me pelo braço fazendo-me ir de novo ao seu encontro, beijando-me apaixonadamente.
- Te amo.
Sorri e de mãos dadas voltamos a entrar no restaurante. Sentámo-nos novamente.
- Inês passa-se alguma coisa? Está tudo bem?
- Está, não te preocupes. – Pisquei-lhe o olho para o descansar.
Concluímos o nosso prato e pedimos a sobremesa. O resto do jantar continuou calmamente e sem grandes conversas. O Rúben insistiu em pagar já que tinha sido ele a mostrar-nos o restaurante. Pagamos e fomos para o carro onde de seguida íamos para casa.
Já no estacionamento do prédio:
- Adorei o restaurante. – Disse eu.
- Só o restaurante? – Questionou o Rúben com o seu ar de malandro.
- Vá, também gostei da comida. – Notei que a cara dele estava a tentar dizer-me: só? E eu percebi o que ele queria ouvir e decidi assim deixa-lo feliz. – Pronto a companhia também não foi má.
- Não foi má? Tenho a certeza que adoras-te. Já está a ficar tarde, vemo-nos amanhã?
- Não sei, depois mando-te uma mensagem.
- Oh, ok, vou indo então. Beijinhos. – Despedimo-nos com dois beijinhos na bochecha. – Trata bem dela és um homem cheio de sorte. – Dizia ao Fernando, enquanto davam um forte aperto de mão.
- Yo sé.
O Rúben voltou a entrar no carro. Fernando e eu fomos subindo as escadas até minha casa. Estávamos já á porta, enquanto eu procurava a chaves de casa na mala, (eu odiava malas, acabava sempre por perder as minhas coisas lá dentro) o Fernando agarrou delicadamente os poucos cabelos soltos que tinha junto ao pescoço e ia-o beijando calorosamente. Abri a porta. O Fernando virou-me para ele, e beijo-me apaixonadamente. Sem separar-mos as nossas bocas ele tirou as chaves da porta e fecho-a. Ainda sem as nossas bocas se descolarem caminhávamos em direcção ao quarto. O Fernando começou a desapertar-me o vestido e eu tirei-lhe a t-shirt que levava vestida. Chegados ao quarto Fernando pousou-me cuidadosamente sobre a cama, onde iríamos permanecer pelo resto da noite. Pensávamos nós, porque entretanto tocam há campainha. Quem seria a uma hora daquelas? Quem interrompia aquele casal feliz?
sábado, 13 de agosto de 2011
Último capítulo de Soulmates Never Die!
Postei hoje o meu último capítulo da fanfic Soulmates Never Die no blog:
http://marizawhatimwritting.blogspot.com
Leiam e por favor, expressem a vossa opinião, comentando o Cap.
Muito obrigada. Espero que gostem Beijos +.+
http://marizawhatimwritting.blogspot.com
Leiam e por favor, expressem a vossa opinião, comentando o Cap.
Muito obrigada. Espero que gostem Beijos +.+
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